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Eletrificação? Aston Martin Vantage Roadster diz: “ainda não, obrigado”.

Carro esportivo verde conversível Aston Martin exposto em showroom com montanhas ao fundo.

Nos últimos anos, sempre que surge um novo Lamborghini, Ferrari, Maserati ou Porsche, quase sempre ele chega em silêncio - a eletrificação parcial ou total virou regra.

O visual é atual e a tecnologia também, mas nem sempre o resultado conquista de verdade. Principalmente para quem tem conta bancária suficiente para manter uma coleção de joias sobre quatro rodas. O novo Aston Martin Vantage Roadster vai na direção contrária.

Assim como o Vantage Coupé, o Roadster passa longe da eletrificação e aposta no que a marca sabe fazer: um vigoroso “coração” AMG, suspensão esportiva calibrada com cuidado e um design muito bem resolvido, com discretas referências ao passado.

665 cv e 800 Nm

Em resumo, o que mudou nesta atualização do Roadster? O V8 biturbo continua o mesmo em base, mas ganhou um “tratamento” próprio da Aston Martin: cabeçotes revisados, novos perfis do comando de válvulas, turbocompressores maiores e uma taxa de compressão menor (caiu de 10,5:1 para 8,6:1).

A potência máxima agora é de 665 cv, um ganho de 155 cv em relação ao antecessor, e a tração segue exclusivamente traseira, com apoio de um diferencial autoblocante eletrônico. Para completar, a relação final ficou mais curta, melhorando a resposta ao acelerador.

Para compensar a menor rigidez de uma carroceria que perdeu o teto, a transmissão automática ZF de oito marchas recebeu suportes reforçados.

Ela continua instalada no eixo traseiro (transaxle), o que ajuda no equilíbrio de massas do Vantage Roadster - apenas 60 kg mais pesado que o Coupé. Esses reforços também explicam a pequena mudança na distribuição de peso: 49%-51% no conversível, contra 50-50 no Coupé.

A geometria da suspensão, integrada ao chassi de alumínio com duplos triângulos na dianteira e multibraços atrás, também foi revista, com calibração específica dos amortecedores adaptativos Bilstein DTX.

Nos freios, há discos carbocerâmicos nas rodas dianteiras e discos de aço nas traseiras, em parte escondidos pelos Michelin Pilot Sport S5 nas medidas 275/35 ZR21 na frente e 325/30 ZR21 atrás.

Ambiente modernizado

Na cabine, o painel adota um desenho mais atual e, como no Coupé, segue o mesmo conceito estreado no ano passado no DB12. Há uma central multimídia com tela sensível ao toque de 10,3”, mais moderna em forma e conteúdo e - ainda bem - a ampla console central mantém muitos comandos físicos.

Entre eles ficam os controles do ar-condicionado, do controle de tração, do ESP, do som do escapamento, do ajuste dos amortecedores, do aquecimento/ventilação dos bancos, da desativação dos sistemas de assistência à condução e do sistema de áudio. Além disso, entram os botões de acionamento da capota, o seletor do câmbio e o robusto comando giratório dos modos de condução, que também funciona para ligar/desligar o motor.

É um carro para dois, naturalmente, e até numa escapada de fim de semana vale pedir para o acompanhante ser prático na hora da bagagem: no porta-malas não cabe muita coisa - 200 litros, 35 litros a menos do que no Coupé.

De bradar aos Alpes

Para o teste dinâmico ao volante do Aston Martin Vantage Roadster, saímos bem cedo para aproveitar o tempo seco e os primeiros raios de sol, nas sempre imprevisíveis condições climáticas dos Alpes austríacos.

De todo modo, abrir ou fechar a capota leva só 6,8 segundos, um tempo bem abaixo do que costuma ser normal para essa operação. A capota de lona, em fole, ficou menor e mais leve e, além disso, sobe e desce sem depender de qualquer painel da carroceria atrás do habitáculo.

Como o sistema só funciona até 50 km/h, é melhor mesmo que seja rápido - assim se evita aquele constrangimento, comum em outros conversíveis que demoram mais do que o dobro, de segurar o trânsito urbano quando resolvemos cobrir ou descobrir o céu.

Com a capota fechada, dá para perceber que as oito camadas da lona receberam tratamentos para garantir isolamento térmico e acústico não muito distante do Vantage Coupé.

E dá vontade de baixar de novo: com bancos de laterais mais firmes, além de aquecimento e ventilação, qualquer variação de temperatura externa pode ser compensada para manter o conforto dos dois ocupantes.

Um melódico V8

Na autoestrada, o ruído é um pouco mais alto do que o ideal para conversar com o passageiro sem elevar a voz. Ainda assim, isso pode ser entendido como um convite para “massagear” os ouvidos com as notas vibrantes do V8 biturbo de quatro litros - que chegam a soar ameaçadoras quando a agulha eletrônica do conta-giros encosta no redline, marcado em 7000 rpm.

Tudo isso enquanto os 800 Nm de torque máximo, que surgem de forma progressiva e não aparecem de imediato como nos elétricos, apimentam cada instante.

Depois vêm os números, que nunca traduzem com precisão o tamanho das emoções - especialmente quando “voamos baixo”, ao ar livre, neste roadster de 4,5 m de comprimento e quase dois de largura: 3,6s de 0 a 100 km/h (uma décima a mais, irrelevante, do que no Coupé) e 325 km/h de velocidade máxima dão uma boa noção do que está em jogo.

Nessa tocada, o melhor é esquecer o consumo declarado de 12,3 l/100 km e aceitar ficar acima de 16 litros - finalizei os 126 km do trajeto com 15,9 l/100 km, mas a média acumulada deste Vantage Roadster azul Sapphire indicava 17,6 l/100 km, o que significa que até fui comedida(o).

Zig-zags cheios de diversão

Nos trechos mais cheios de curvas, dá para sentir a distribuição de massas quase equilibrada entre frente e traseira. Somado ao diferencial autoblocante eletrônico traseiro, isso ajuda a colocar o Vantage Roadster dentro da curva e melhora a aderência ao asfalto quando aumentamos a pressão no pedal da direita.

Nessas horas, gostei muito da atuação mordaz dos discos carbocerâmicos - que acrescentam 14 mil euros à conta, já nada gentil -, assim como da rigidez estrutural que orgulha os engenheiros da Aston Martin, da rapidez do câmbio que permite extrair o grande potencial do V8 e também da precisão e agilidade da direção.

A suspensão vai de firme a muito firme, mas ainda dá conta, com razoável tolerância, de pisos menos perfeitos do que os que apareceram neste teste. No conjunto, surge uma sensação curiosa de estar guiando um kart pesado.

Há margem de progresso?

Sim. O quadro de instrumentos digital poderia estar em um carro elétrico asiático que custa 10 vezes menos. Seria melhor ter instrumentos analógicos, ao menos em parte, por serem mais orgânicos e combinarem mais com a exclusividade da marca inglesa - e com o James Bond que existe em cada um de nós.

Faz falta um head-up display, e a leitura da tela central fica difícil quando o sol bate diretamente (no modo conversível). Além disso, não há defletor de vento elétrico, e clientes de outras latitudes talvez preferissem uma versão com tração nas quatro rodas.

O custo da exclusividade

As vendas do Aston Martin Vantage Roadster já começaram e devem ajudar a marca inglesa a elevar o número de unidades registradas - como vem acontecendo desde que a Aston Martin iniciou a renovação completa da sua gama de modelos.

No caso do Vantage Roadster, os preços partem de 279 550 euros, mais 13 336 euros do que o Coupé.

Veredito

Especificações técnicas

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