A indústria automotiva europeia corre o risco de ver mais de 350 mil empregos desaparecerem até 2030. Essa é uma das principais conclusões de um estudo da Roland Berger, realizado a pedido da CLEPA - Associação Europeia de Fornecedores da Indústria Automóvel.
As causas já são amplamente conhecidas - custos estruturais altos e a ausência de políticas industriais competitivas diante da China e dos EUA -, mas os impactos vêm se intensificando.
Medidas para a indústria automotiva europeia defendidas pela CLEPA
Diante desse cenário, a CLEPA cobra ações imediatas: diminuir custos estruturais e reduzir burocracia; fazer uma revisão rápida das normas de CO₂ para assegurar a neutralidade tecnológica; e reforçar o uso de componentes europeus em veículos made in Europa, como forma de proteger competências críticas de fabricação e desenvolvimento.
Small Affordable Cars Initiative e sinais de resposta da União Europeia
Esse senso de urgência já chegou aos níveis mais altos da política europeia. O novo programa europeu Small Affordable Cars Initiative, anunciado nesta semana no Parlamento Europeu por Ursula Von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, já incorpora algumas dessas linhas de atuação.
Os números do problema
O novo estudo da consultoria Roland Berger, apresentado em Bruxelas, aponta que os fornecedores europeus operam com uma desvantagem de custos de 15% a 35% em comparação com concorrentes globais. Entre os fatores citados estão energia mais cara, custos trabalhistas elevados, regulação pesada e a falta de um enquadramento uniforme.
De acordo com o relatório, 23% do valor agregado europeu pode estar ameaçado até 2030. Em termos práticos, até 350 mil postos de trabalho podem desaparecer, colocando em risco não só o emprego, mas também a capacidade de inovação e a contribuição social do setor.
A Europa está numa batalha decisiva pela sua soberania industrial. Os fornecedores querem investir e inovar, mas não podem fazê-lo num campo de jogo desigual.
Benjamin Krieger, secretário-geral da CLEPA
Apesar de 75% dos componentes ainda serem produzidos em território europeu, a indústria fornecedora do setor automotivo segue como um dos pilares da economia. O segmento emprega 1,7 milhões de pessoas e investe 30 mil milhões de euros por ano em Investigação e Desenvolvimento. Ainda assim, o recado agora é direto: a Europa está perdendo competitividade.
Enquanto China e EUA combinam incentivos industriais com medidas de proteção, a União Europeia “está a ficar para trás”, segundo a CLEPA. O estudo termina com um alerta inequívoco: se a Europa não adotar medidas coordenadas já, corre o risco de perder a espinha dorsal da sua indústria automóvel.
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