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Rússia sofre grande falha nos pagamentos por cartão e QR Code

Pessoas em fila no caixa do supermercado usando cartão e celular para pagamento digital.

Um grande problema técnico atingiu a Rússia nesta sexta-feira.

Falha generalizada trava pagamentos por cartão e QR Code na Rússia

O episódio passou longe de ser discreto. Nesta sexta-feira, 3 de abril, moradores da Rússia relatam fortes instabilidades em pagamentos por cartão bancário e por QR Code. As dificuldades aparecem em vários tipos de estabelecimentos - lojas, cafés e postos de combustível - e também provocam congestionamentos enormes nas praças de pedágio de rodovias.

Segundo o veículo hi-tech.mail, que cita a agência de notícias TASS, as falhas foram registradas em numerosas regiões do país governado por Vladimir Putin. Em alguns locais, comerciantes passaram a exigir que as compras fossem pagas apenas em dinheiro vivo. O problema é que, de acordo com relatos, caixas eletrônicos também não estariam operando em determinadas áreas.

Bancos como Sberbank, VTB e T-Bank e o FPS relatam instabilidades

Outros meios de comunicação russos descrevem uma pane de grande porte afetando serviços bancários como Sberbank, VTB, T-Bank e o sistema de pagamentos instantâneos (FPS). Sobre o que teria causado a ocorrência, ainda não há como cravar com certeza; mesmo assim, muitos apontam para o sistema nacional de bloqueio de endereços IP, já que diversas plataformas legítimas teriam sido impactadas.

A Internet russa é cada vez mais censurada

Vale lembrar - como já explicamos em uma matéria anterior - que a Rússia vem ampliando o isolamento de sua Internet e dificultando o acesso dos cidadãos a informações globais e a serviços importantes. Nesse contexto, as autoridades determinaram a remoção de VPNs das principais lojas de aplicativos, com o objetivo de reduzir as formas de driblar a censura.

Sites ocidentais com frequência são bloqueados ou têm o acesso desacelerado, a ponto de ficarem praticamente inutilizáveis. Além disso, a implementação dessas restrições varia de operadora para operadora, criando uma experiência desigual e fragmentada.

O Telegram, muito usado no país, também quase não funciona de maneira normal sem o uso de uma VPN, enquanto as autoridades tentam direcionar os russos para a plataforma oficial monitorada pelo governo: Max. Desde o início da guerra na Ucrânia, a vigilância e o cerco ao ambiente online atingiram um patamar inédito em um país que, após a queda da URSS, havia avançado em termos de liberdades.

Nova lei prevê multa por acesso a conteúdos “extremistas”

Para completar o avanço da censura, uma nova lei aprovada prevê a aplicação de multa a internautas que acessem conteúdos “extremistas” na Internet. Na prática, o Ministério da Justiça da Rússia atualiza com frequência uma lista de organizações classificadas como “extremistas”.

A interpretação do que seria extremismo é bastante ampla e inclui até grupos de oposição, como a Fundação Anticorrupção do falecido Alexei Navalny. Outros coletivos sem relação entre si - como o Centro Administrativo das Testemunhas de Jeová na Rússia e o movimento LGBT internacional - também aparecem nessa relação.

Assim, usuários que forem considerados “coupables” de buscar deliberadamente ou acessar sites julgados fora das regras podem receber uma multa de 3000 a 5000 rublos (entre 38 e 64 dólares).

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