Após 25 anos de tratativas consideradas complexas, a União Europeia (UE) aprovou, na semana passada e por maioria qualificada, o acordo comercial com o Mercosul.
Em resposta a perguntas da Razão Automóvel, a ACAP – Associação Automóvel de Portugal comentou a decisão: “Acolhemos de forma positiva a decisão do Conselho da União Europeia de autorizar a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, após a aprovação por maioria qualificada dos Estados-Membros.
Para a entidade, “este sinal político representa um momento relevante para uma Europa aberta, competitiva e orientada para o comércio internacional, num contexto internacional particularmente exigente para a indústria automóvel europeia”.
Acordo comercial UE-Mercosul: alcance e países envolvidos
O tratado entre a UE e o Mercosul - bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - tem como objetivo estabelecer a maior área de livre-comércio do planeta, com cobertura estimada de cerca de 700 milhões de consumidores.
Efeito no setor automotivo: tarifas e acesso ao Mercosul
No segmento automotivo, a mudança é particularmente significativa. Hoje, veículos fabricados na União Europeia podem enfrentar tarifas de até 35% nos mercados do Mercosul. Com o novo acordo, esses encargos serão retirados de forma gradual, o que tende a tornar o acesso mais simples e competitivo para produtos europeus na região.
Impacto em Portugal
De acordo com Helder Barata Pedro, secretário-geral da ACAP, o entendimento tem potencial para favorecer a indústria automotiva portuguesa, ao ampliar condições de entrada em mercados amplos onde ainda existem tarifas altas para veículos e componentes de origem europeia.
Cadeias de valor europeias e componentes portugueses
“Para Portugal, os impactos mais relevantes deverão sentir-se no reforço das cadeias de valor europeias, nas quais o setor nacional de componentes desempenha um papel central”, explica, e acrescenta: “a eliminação de barreiras tarifárias e a redução de obstáculos técnicos ao comércio podem traduzir-se num aumento das exportações indiretas e numa maior robustez das encomendas dirigidas à indústria nacional”.
Ele também ressaltou o possível efeito nas cadeias de suprimentos e na disponibilidade de insumos estratégicos: “o acordo poderá também contribuir para fortalecer as cadeias de abastecimento, incluindo o acesso a matérias-primas críticas, um fator essencial para a resiliência e competitividade da indústria automóvel europeia e, por consequência, da fileira nacional”, concluiu”.
Estimativas e visão estratégica da ACAP
Neste momento, a ACAP avalia que ainda é cedo para apresentar projeções específicas sobre o impacto do acordo UE-Mercosul na indústria portuguesa. Ainda assim, sob a ótica estratégica, o tratado pode aumentar a competitividade global do setor europeu, estimular a diversificação de destinos e oferecer maior previsibilidade para decisões de investimento ao longo de toda a cadeia de valor.
Leia mais sobre o acordo UE-Mercosul aqui:
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário