Pular para o conteúdo

Donald Trump perde na Suprema Corte: tarifas caem e o luxo francês respira

Mulher em vestido verde manuseia relógios em caixa na frente de duas pessoas em balcão iluminado.

Donald Trump acaba de sofrer seu revés mais doloroso: a Justiça dos Estados Unidos desmontou a sua fortaleza de tarifas. Entre turbulência econômica no país e um enorme alívio para o luxo francês, entenda por que o tabuleiro virou.

Desde que voltou à Casa Branca em janeiro de 2025, Donald Trump retomou rapidamente sua ferramenta preferida: os direitos de importação. O movimento já tinha começado no primeiro mandato, sobretudo contra a China, mas desta vez ganhou alcance global. Em poucos meses, taxas de 10% a 25% - e, em alguns casos, bem acima disso para aço e automóveis - passaram a atingir produtos que entram nos Estados Unidos.

A ideia por trás da medida é direta e cabe em duas palavras: "America First". Ao encarecer fortemente as importações, o presidente buscou pressionar empresas a produzir em território americano, com a promessa de gerar empregos.

Uma arma de negociação

Além de arrecadar, as tarifas viraram um instrumento de negociação agressivo para tentar reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos e punir parceiros considerados desleais. A China foi um alvo central: Trump manteve os tarifários como uma espada sobre Pequim, para forçar limites às exportações de fentanil e para reduzir seu enorme superávit comercial.

A Europa também entrou na linha de tiro dessa estratégia. Há poucas semanas, Donald Trump ameaçou cobrar 25% sobre produtos de oito países - incluindo França e Alemanha - "até a venda total" da Groenlândia pela Dinamarca. Depois, recuou. Esse método, frequentemente visto como chantagem comercial, alimenta uma instabilidade permanente.

Muitas ações na Justiça

A ofensiva tarifária encontrou resistência pesada. Mais de 1.000 empresas - de montadoras como Toyota e BYD a nomes fortes do luxo como Prada e Valentino - decidiram levar o tema aos tribunais. O ponto central: o presidente teria distorcido uma lei de emergências econômicas (a IEEPA) para impor taxas de forma arbitrária. Para essas companhias, a medida contorna por completo o poder do Congresso americano.

A Suprema Corte decidiu

A Suprema Corte dos EUA precisou responder ao ponto-chave: Donald Trump tinha autorização constitucional para impor sozinho esses direitos de importação? Em 20 de fevereiro, por 6 votos a 3, o tribunal anulou as tarifas implementadas com base na IEEPA.

Os magistrados entenderam que Donald Trump havia "excedido suas atribuições", porque a lei não confere ao presidente um "poder ilimitado" para criar tributos sob o argumento de emergência nacional. A alfândega americana recebeu a ordem de interromper a cobrança dessas operações ilegais a partir de 24 de fevereiro.

A partir de agora, cabe às instâncias inferiores lidar com a montanha de pedidos de reembolso, estimada em mais de 150 bilhões de dólares.

A reação de Donald Trump

Donald Trump reagiu sem amenidades e atacou com dureza os juízes - inclusive aqueles indicados por ele. Na rede Truth Social, chamou a decisão de "vergonhosa", "defeituosa" e até "antiamericana". Indo além, em uma coletiva improvisada, acusou alguns integrantes da Corte de serem "lacaios" influenciados por "interesses estrangeiros".

Na sequência, o presidente colocou em campo um plano B. Poucas horas depois da invalidação dos seus tarifários, ele assinou um novo decreto para aplicar uma taxa global de 10%, que elevou rapidamente para 15% no dia seguinte, agora se apoiando em outra lei, de 1974.

Quais consequências?

Na prática, as tarifas não produziram o resultado esperado - muito pelo contrário. O déficit comercial dos Estados Unidos chegou a piorar. O motivo: os americanos continuaram comprando produtos estrangeiros, só que mais caros.

Para exportadores franceses de vinhos, destilados e bens de luxo, a decisão da Suprema Corte funciona como um alívio inesperado, já que o mercado americano continua sendo o principal destino mundial para muitos desses produtos.

Ainda assim, é bom ter cautela: Trump claramente não deu sua última palavra.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário