Esta fraude está ganhando cada vez mais espaço na França.
“Meus amigos revendem tênis e conseguem lucros de até 1.000 euros por semana”. A frase, dita por um jovem internauta à BFM Tech em 2024, resume bem o interesse em torno do refund - uma prática ilegal que, segundo relatos, pode ter rendido até 30.000 euros em seis meses para alguns fraudadores. Mas, afinal, do que se trata e quais são os riscos?
O que é o refund e como a fraude funciona
Por trás do termo refund está um golpe que, na prática, não é exatamente novo. O esquema costuma seguir um roteiro simples: a pessoa compra um produto em um site de e-commerce e, depois de receber o pacote, afirma que não recebeu. Com isso, obtém o reembolso e, em seguida, revende a mercadoria.
Citado pelos colegas de imprensa, Antoine Chéron, advogado especializado em propriedade intelectual e no universo digital, descreve o mecanismo de forma ainda mais precisa:
O “refund” ou reembolso fraudulento é uma prática que consiste em conseguir o reembolso de produtos comprados em plataformas de venda on-line sem devolver os itens, ou devolvendo produtos falsos ou danificados.
Um golpe popularizado nas redes sociais
Nos últimos anos, essa prática teria se intensificado entre alguns jovens, que passam a conhecer o reembolso fraudulento por meio de redes como TikTok e Telegram, de acordo com o veículo francês. Com o tempo, chegaram a surgir redes mais organizadas. Em alguns casos, prestadores de serviço assumem a etapa do reembolso para tornar o processo ilegal ainda mais simples.
@o_bvmv
“Eles não querem mais parar” #adivinheapessoa #paravoce #paravoce
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Como dá para imaginar, as grandes plataformas vêm reagindo a essa tendência preocupante. A Amazon, por exemplo, tenta identificar essas manobras com o apoio de algoritmos. As autoridades também acompanham o fenômeno, com o objetivo de desarticular as redes.
Quais são os riscos e as penas para quem pratica refund
Nos últimos tempos, alguns praticantes de refund acabaram sendo identificados, e multas pesadas passaram a ser aplicadas. Os fraudadores podem ser processados por estelionato e estão sujeitos a 5 anos de prisão e 375.000 euros de multa. Já os criadores de conteúdo que promovem o refund podem responder por cumplicidade em estelionato.
Ainda assim, esses riscos não parecem intimidar os jovens ouvidos pela BFM Tech. Um deles afirma: “As compras são feitas com identidades falsas em sites muito conhecidos, onde os problemas com pedidos ficam abaixo de 1%. Então, se uma conta ‘fiel’ tem um problema, não é do interesse deles não reembolsar”. Outro diz não temer processos na França, alegando não morar no país.
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