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TGV M: SNCF Voyageurs adia estreia para 1º de julho de 2026 e cobra Alstom

Homem com colete laranja segura modelo de trem e plantas em estação de trem com trem de alta velocidade ao fundo.

A estreia do TGV M, que deveria estar pronta para os JO 2024, voltou a escorregar no calendário. Desta vez, é a Alstom quem fica com o principal ônus desse atraso em um projeto considerado crucial.

Atraso do TGV M e nova data de estreia

O “TGV do futuro” continua sem chegar às linhas comerciais. Na quarta-feira, 10 de dezembro, a SNCF Voyageurs oficializou mais um adiamento para a entrada em serviço das composições de nova geração, empurrando a chegada para 1º de julho de 2026. Com isso, o atraso total do grande programa industrial já soma dois anos, depois de ter sido planejado inicialmente para os Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Alstom no centro das críticas e plano de entregas

Ao explicar o novo adiamento, Christophe Fanichet, presidente da SNCF Voyageurs, foi direto e atribuiu a responsabilidade à fabricante Alstom. “Ela não produziu composições em quantidade suficiente”, disse o executivo à AFP. Além do gargalo de fabricação, entram na conta prazos de homologação que não podem ser encurtados: as autoridades de segurança ferroviária francesas e europeias ainda precisam validar todos os testes antes de autorizar a operação comercial.

A frustração aumenta porque o pedido não é recente. O programa começou em 2018: a SNCF encomendou 115 composições à Alstom, por um montante gigantesco de mais de quatro bilhões de euros. Sete anos depois, apenas quatro unidades estão em testes de pré-exploração. A expectativa é ter seis disponíveis em maio, o que abriria espaço para colocar quatro em operação comercial no auge do verão. Ainda assim, isso fica bem distante do que se pretendia no começo.

Do lado da Alstom, o grupo admite sua parcela de responsabilidade pelos atrasos, mas diz estar mobilizado para concluir o projeto. “Cientes do tempo já decorrido e do desvio de cronograma observado até aqui, as equipes da Alstom estão totalmente mobilizadas para entregar as primeiras composições nos próximos meses”, afirmou a empresa em comunicado. A fabricante também apresentou um cronograma objetivo: nove composições entregues até o fim de junho e, depois, um ritmo elevado de duas composições por mês a partir do verão. No fim de 2026, a frota deverá chegar a quatorze unidades.

TGV M: um trem revolucionário que se faz esperar

Mesmo irritado com a situação, Christophe Fanichet tenta reduzir a dimensão do problema destacando os atributos do novo material. “Não estou satisfeito com esses atrasos, mas tenho certeza de que, daqui a alguns meses, teremos esquecido tudo, tamanho é seu caráter revolucionário”, garantiu. O TGV M, chamado de Avelia na nomenclatura da Alstom, promete de fato uma ruptura tecnológica em relação às gerações anteriores.

Modularidade e 20% mais capacidade

O salto mais marcante está na concepção modular. Em vez das composições atuais, cuja configuração é fixa, o TGV M permitirá ajustar o número de carros de primeira e segunda classe conforme a demanda de cada trajeto. Essa flexibilidade vem acompanhada de um aumento da capacidade na ordem de 20% em comparação com os TGV tradicionais.

Conectividade e eficiência energética

O novo trem também foi pensado para consumir menos energia e oferecer conectividade superior, buscando atender um público cada vez mais exigente com os serviços a bordo. Com a expansão do trabalho remoto, tornou-se essencial que os passageiros contem com uma conexão de boa qualidade durante as viagens de TGV. A SNCF, inclusive, considera recorrer à Starlink ou à Eutelsat para garantir internet confiável e contínua.

Pressão competitiva no eixo Paris–Lyon–Marselha e homologação

O problema é que esse adiamento acontece em um momento particularmente ruim para a SNCF. O corredor Paris–Lyon–Marselha, onde o TGV M deverá começar a rodar, é uma das rotas mais rentáveis da malha francesa. Ao mesmo tempo, é o principal campo de atuação da Trenitalia, operadora italiana que, há alguns anos, vem pressionando o antigo monopólio da companhia francesa na alta velocidade. Assim, cada mês de atraso se traduz em mais espaço dado à concorrência.

Tanto que a situação preocupa a ponto de uma cúpula já estar marcada para janeiro. Jean Castex, presidente da SNCF, deve se reunir com Henri Poupart-Lafarge, executivo-chefe da Alstom, para revisar o conjunto de encomendas em andamento. Enquanto isso, a SNCF protocolou na terça-feira seu dossiê de homologação junto às autoridades responsáveis. “Estamos chegando ao objetivo”, quer acreditar Christophe Fanichet. Resta saber se esse objetivo não voltará a se afastar mais uma vez nos próximos meses.

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