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Salão de Paris 2024: 15 novidades que chamaram atenção

Carro esportivo azul metálico com design futurista em exposição, placa com texto PARIS24.

Antes da Covid-19, ainda dava para contar nos dedos das duas mãos os salões do automóvel com impacto realmente global - hoje, eles viraram quase uma espécie ameaçada.

Mesmo quando tentaram ir além do desfile de carros e incorporar temas de mobilidade (em vez do formato de salão “raiz”), Detroit está perto de sair do mapa, Genebra já ficou para trás, Tóquio perdeu peso, Frankfurt virou um evento mais doméstico em Munique, e Los Angeles reforçou o próprio perfil regional.

Esse caráter regional não chega a ser um problema para os salões ainda relativamente novos de Pequim e Xangai (que se alternam ano sim, ano não): afinal, o “regional” deles é a China - um mercado em que se disputa algo como 25 milhões de carros vendidos por ano, quase o mesmo que Europa e EUA somados.

No Ocidente, o público dos salões mudou e encolheu; os custos explodiram para além do razoável (e isso cobrou seu preço dos organizadores) e, com a virada de mentalidade trazida pela pandemia, as marcas passaram a direcionar o investimento de marketing e promoção para outros canais.

No meio desse cenário entra o Salão de Paris, que volta depois da edição fraca de 2022 - quando a Europa ainda se recuperava do período pandêmico -, agora com menos protagonismo de fabricantes chineses e até com o retorno de marcas alemãs.

Ainda assim, o foco esteve sobretudo nas francesas: o contingente da Stellantis - Citroën e Peugeot - e, puxando a fila, a Renault. Entre as europeias com estreias mundiais aparecem Audi, BMW, Dacia, Mini, Skoda e Volkswagen. Do lado chinês, os destaques são BYD, Leapmotor e Xpeng.

As novidades foram muitas, mas as 15 listadas a seguir são as que prometem atrair mais olhares no Salão de Paris - aberto até 20 de outubro, no Paris Expo Porte de Versailles - e, em alguns casos, disputar espaço de verdade no mercado.

Alpine A390_β concept

Em poucos anos, a Alpine deve deixar de ser uma marca restrita a um esportivo biplace, com seu ar um tanto anacrônico, para virar a grife esportiva de múltiplos modelos dentro do Grupo Renault - com a vantagem extra de contar com a Fórmula 1 como vitrine de luxo.

O A390_β, 100% elétrico, aparece em Paris ainda como protótipo, mas a ideia dos franceses é iniciar a produção já no verão do ano que vem. A marca afirma que o desenho externo está 85% próximo do carro de rua.

Ele usa a plataforma AmpR Medium (novo nome da CMF-EV), a mesma de Nissan Ariya e Renault Megane. A configuração prevê três motores (um dianteiro e dois traseiros), porém ainda não há números divulgados de desempenho nem de autonomia.

Alpine Alpenglow Hy6

Em 2022, a Alpine apresentou o primeiro Alpenglow com o Hy4: um 4 cilindros 2,0 L turbo de 340 cv, criado para testar hidrogênio como fonte de energia em motores a combustão. Agora, o protótipo evolui para o Hy6 e passa a usar um V6 biturbo 3,5 L, elevando o desempenho a 730 cv e 770 Nm enviados às rodas do eixo traseiro.

O hidrogênio fica armazenado em três tanques: dois em compartimentos laterais independentes e um terceiro atrás do cockpit, por motivos de segurança. Voltado para pista, o protótipo usa chassi LMP3 em fibra de carbono e, segundo a marca francesa, é capaz de chegar a 330 km/h de velocidade máxima.

Audi Q6 e-tron Sportback

A Audi volta a apostar em carroceria com linhas de cupê para seus SUVs médios e grandes. Depois do Q4 e-tron, o Q6 e-tron também ganha essa silhueta mais esportiva e atraente, chamada Sportback.

Por outro lado, o preço um pouco mais alto do que o do Q6 e-tron SUV e o espaço menor (em altura, já que é 3,8 cm mais baixo) na segunda fileira tendem a empurrar a Sportback para baixo nas vendas - como no Q4, a Audi projeta que o Q6 e-tron Sportback represente 1/3 do total comercializado do modelo.

A linha mais “escorrida” ajuda na aerodinâmica e permite extrair mais alcance das baterias de 83 kWh e 100 kWh (brutos), chegando a até 656 km (WLTP).

BYD Sealion 7

Diferentemente do Seal U, o BYD Sealion 7 é um SUV elétrico com tecnologia de propulsão mais avançada. Entre os destaques está a plataforma elétrica 3.0 Evo, que aceita até 230 kW de potência máxima de recarga em corrente contínua (DC) e promete levar a bateria de 10% a 80% em apenas 25 minutos.

Ele também traz a bateria Blade (lâmina), com química LFP e produção própria da BYD, com capacidade de 91,3 kWh. A expectativa é de autonomia WLTP na casa de 550 km na versão de tração traseira e 313 cv.

Haverá ainda uma opção com tração integral, com um segundo motor elétrico dianteiro, elevando a potência a 530 cv. Nessa configuração, os números são de esportivo: 0 a 100 km/h em 4,5s e máxima de 215 km/h.

Com 4,83 m de comprimento, ele vira um concorrente de peso para o novo Audi Q6 e-tron Sportback e também para o Tesla Model Y.

Citroën C5 Aircross concept

É difícil lembrar de um momento de renovação tão completo na Citroën quanto neste Salão de Paris 2024: a marca mostrou a nova geração do quadriciclo Ami, a atualização do C4/C4 X, o novo C3 Aircross (com oferta de 5+2 lugares, única no segmento) e este protótipo que antecipa o sucessor do C5 Aircross.

Ele será o primeiro Citroën baseado na plataforma STLA Medium, inaugurada pelo ainda recente Peugeot 3008. Em relação à geração atual, cresce 15 cm (chegando a 4,65 m) e fica 3 cm mais baixo (1,66 m). A fabricante afirma que o concept marcante é 95% representativo do modelo final.

Na ocasião, Thierry Koskas, diretor executivo da Citroën, anunciou autonomia máxima de 680 km (graças a uma bateria perto de 100 kWh). A plataforma, porém, também aceita motorizações a gasolina - e isso deve acontecer no C5 Aircross que chega ao mercado em meados de 2025. Só que sem Diesel, já que essa opção vai desaparecer de toda a gama Citroën.

A geração atual, lançada em 2017, já estava em trajetória de queda comercial: vendeu menos de 30 000 unidades entre janeiro e agosto deste ano, bem distante do líder Volkswagen Tiguan, com quase 120 000 unidades.

Citroën C4/C4-X

Depois de quatro anos no mercado, C4 e C4 X passam por atualização. Por fora, aparecem com desenho mais esportivo; por dentro, as mudanças são pontuais. Chamam atenção o novo logotipo, os para-choques redesenhados e faróis LED totalmente novos.

Na cabine, o foco fica no novo volante (já com o novo logotipo) e no painel de instrumentos que agora pode ter 7″ (antes, não passava de 5″). Na central multimídia de 10″, entram recursos de ChatGPT, além de um novo sistema operacional apoiado por software mais potente.

A gama de motores inclui opções a gasolina e gasolina mild-hybrid de 130 cv e 136 cv, respectivamente, além de duas elétricas, com 136 cv e 156 cv. Os Diesel saem de cena.

Dacia Bigster

O Dacia Bigster cresce 23 cm em relação ao Duster (total de 4,57 m). Somado ao entre-eixos ampliado de 2,70 m, o resultado é mais espaço para quem vai na segunda fileira.

Na linha de motores, o destaque é a evolução do híbrido: o motor a gasolina aumenta de cilindrada - 1,8 L em vez de 1,6 L - e sobe de 94 cv/148 Nm para 107 cv/170 Nm; e a bateria também cresce - 1,4 kWh em vez de 1,2 kWh.

O sistema híbrido segue apoiado pelos mesmos dois motores elétricos, de 49 cv e de 20 cv. O mais forte consegue movimentar o Bigster por curtas distâncias em modo elétrico, enquanto o menor atua como motor-gerador e aciona o motor a gasolina.

Kia EV3

Com visual claramente inspirado no EV9 (só que em escala menor), o EV3 quer ganhar espaço contra rivais como Peugeot e-2008 e Smart #1, entre outros B-SUV elétricos.

Com tração dianteira, 4,3 m de comprimento e baterias de 58 kWh ou 81 kWh, o EV3 usa a mesma base do EV5 - a variante de 400 V. Já os mais exclusivos EV6 e EV9 operam com o dobro da tensão.

Como já pudemos dirigir o modelo em exclusivo nacional, dá para dizer que o motor de 204 cv entrega desempenho na medida certa para a imensa maioria dos usos. É confortável e estável, impressiona pelo bom nível de isolamento acústico, mas ainda pode melhorar na resposta da direção e do freio.

Com vários níveis de regeneração e modo de “pedal único”, a condução fica mais agradável em contextos diferentes - especialmente na cidade, quando se usa o último. À venda por um preço marginalmente inferior a 40 000 euros.

Leapmotor B10

A parceira chinesa da Stellantis levou várias novidades. Entre elas, o urbano elétrico T03, que já está sendo montado na Polônia com peças que chegam em contêineres da China, como forma de evitar a aplicação das tarifas europeias. O preço de entrada na Europa fica marginalmente abaixo dos 20 000 euros.

Mas, enquanto o rival do Dacia Spring já era conhecido, alguns SUVs mostrados em Paris eram novidade - caso do novo B10, um SUV compacto que deve ter duas opções de motorização: uma totalmente elétrica e outra elétrica com extensor de autonomia, que inclui um motor a gasolina de 1,5 L. Ainda não há detalhes técnicos nem preços confirmados, mas é esperado que estes comecem na faixa dos 30 000 euros.

Mini Aceman

Com pouco mais de 4 m de comprimento (4,075 m) e posicionado entre o Cooper e o Countryman, o Aceman assume o lugar do Clubman e é produzido na China por meio da joint venture com a Great Wall Motors. Por isso, fica sujeito ao aumento de tarifas adicionais de importação imposto pela União Europeia - neste caso, com a alíquota máxima de 35,3%.

A situação, porém, deve ser provisória. Já está decidido que a produção será transferida para Oxford, na Inglaterra, embora isso só aconteça a partir de 2028.

De início, serão duas versões: Aceman E de 130 kW (184 cv) com bateria de 43 kWh e autonomia de até 309 km; e Aceman SE de 160 kW (218 cv), com autonomia de até 405 km. O primeiro promete 0 a 100 km/h em 7,9s e velocidade máxima de 160 km/h; o segundo, 7,1s e 170 km/h.

Renault 4 E-Tech

A Renault está colando as emoções do estilo retrô à eletromobilidade: primeiro com o Renault 5 e agora com o Renault 4. Em relação ao primeiro, ele se diferencia por oferecer cabine mais espaçosa, porta-malas maior e maior altura livre do solo - o que abre espaço para propor tração 4×4 em incursões moderadas fora do asfalto.

Mesmo assim, plataforma, painel e sistema de propulsão são compartilhados entre os dois. A versão de entrada terá bateria de 40 kWh, potência de 90 kW (122 cv) e autonomia declarada acima de 300 km. Já a configuração topo de linha contará com bateria de 52 kWh, potência de 110 cv (150 cv) e autonomia de até 400 km. Em ambos os casos, a velocidade máxima é de 150 km/h.

Renault Emblème concept

Para mostrar que a Renault não vive apenas de nostalgia, o Emblème traz linhas modernas e até futuristas, além de um conjunto elétrico que também é híbrido por ser alimentado por duas fontes de energia.

Com 4,80 m de comprimento, ele usa a plataforma AmpR Medium - a mesma de, por exemplo, o Scenic - e seu sistema de propulsão com dupla alimentação ajuda a contornar a ansiedade de autonomia.

De um lado, há uma bateria recarregável (40 kWh), voltada ao uso cotidiano no vai e vem de casa e trabalho. Do outro, uma célula a combustível (30 kW) alimentada por hidrogênio (tanque de 2,8 kg), pensada para deslocamentos mais longos.

A célula a combustível adiciona 350 km de alcance. Não é um número enorme, mas o reabastecimento de hidrogênio é muito mais rápido do que esperar uma bateria carregar: leva no máximo cinco minutos.

Skoda Elroq

Com o Elroq, a Skoda quer avançar mais um pouco na busca por paridade de preços entre carros a combustão e elétricos.

Com 4,49 m de comprimento, ele é 16 cm mais curto do que um Enyaq - funciona como o equivalente elétrico do Karoq a combustão -, mas também é um pouco mais largo e mais alto. Os dois compartilham o mesmo entre-eixos.

Quase todas as versões (50, 60 e 85) são de tração traseira, mas haverá uma 4×4 (85x). Uma das configurações mais equilibradas é a 60, com bateria de 59 kWh e promessa de autonomia acima de 400 km. Já o Elroq que vai mais longe com uma carga completa é o 85, que anuncia 560 km.

Volkswagen Tayron

Mais um SUV da Volkswagen cujo nome começa com a letra “T”, o Tayron chega para ocupar o lugar do Tiguan Allspace, que teve procura baixa - principalmente na Europa. Ele pode levar de cinco a sete ocupantes e, em medidas externas, se posiciona entre Tiguan e Touareg.

Voltado para famílias que precisam de muito espaço, o Tayron usa uma MQB Evo alongada para oferecer entre-eixos 11 cm maior do que em outros modelos que usam essa base (como Tiguan e CUPRA Terramar) e comprimento 24 cm superior. Isso foi decisivo para viabilizar a opção de sete lugares.

A oferta de motores é variada: Diesel e gasolina, com mild-hybrid e também híbridos plug-in, com recarga externa.

Xpeng P7+

O P7+ é descrito pela Xpeng como “o primeiro carro com Inteligência Artificial” do mundo - o que não surpreende em uma marca ambiciosa que também quer ser a primeira a colocar no mercado o primeiro “automóvel voador”. O sistema Visão Olho de Falcão dispensa LiDAR e aposta em câmeras de visão avançada para sustentar os recursos de condução autônoma.

Ao lado dos G6 e G9, já à venda em Portugal, o estande da fabricante chinesa abriga o P7+, que tem tamanho parecido com o de um BMW i5 (5,05 m). Ele vem com motores de 180 kW (245 cv) e 235 kW (320 cv), combinados com baterias de 60,7 kWh e 76,3 kWh, respectivamente.

São números mais comuns em elétricos menores, mas que ajudam a reduzir peso e consumo (oficial de 15,1 kWh/100 km). Também entregam desempenho mais do que suficiente e autonomia (WLTP) entre 400 km (60,7 kWh) e 500 km (76,3 kWh). Outros dados que chamam atenção são a arquitetura de 800 V e um preço de entrada na casa dos 60 000 euros na Europa.

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