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A francesa Thales apresentou na Eurosatory 2026 um portfólio abrangente de iniciativas voltadas às novas demandas do combate moderno, com ênfase na integração de inteligência artificial, na defesa contra drones, na digitalização do treinamento militar e na evolução de novas plataformas terrestres.
Durante o evento em Paris, a Zona Militar entrevistou Luis Mongini, Diretor-Geral da Thales para o Cone Sul, que detalhou o panorama dos projetos e das ações em andamento para reforçar e ampliar a base de produtos e clientes da empresa.
A edição 2026 da Eurosatory voltou a evidenciar as tendências de demanda e as respostas que a indústria de defesa global consegue oferecer. Segundo Mongini, “...A Thales apresenta soluções pensadas para responder a ameaças concretas que hoje enfrentam as forças armadas no mundo...”.
Como ele ressaltou, “...O foco da Thales nesta edição é justamente “Ready today, ready tomorrow”. Como parceira de confiança das Forças Armadas, não apenas desenvolvemos tecnologias avançadas, como também temos a capacidade de escalar a produção e fortalecer a base industrial para atender às necessidades atuais e futuras...”.
A possibilidade de ampliar a base industrial foi um dos assuntos de maior relevância na Eurosatory, já que o agravamento dos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio voltou a acender o alerta sobre a necessidade de recompor estoques de armamentos, munições etc. Esse ponto se torna ainda mais evidente com a expansão em massa de sistemas não tripulados e a consequente demanda por contramedidas.
Um exemplo de cooperação e aproveitamento de capacidade industrial já instalada é o projeto TOUTATIS, uma aliança estratégica entre a Thales e o Grupo Renault para desenvolver e produzir uma munição merodeadora nacional. A parceria prevê projetar, industrializar e fabricar esses sistemas aéreos não tripulados em larga escala, em prazos menores e com custos otimizados.
Defesa aérea em múltiplas camadas
Entre os lançamentos da Thales na Eurosatory 2026 esteve o RapidStriker, descrito por Mongini como “...um sistema móvel de defesa contra drones (C-UAS) que integra radares, sensores eletroópticos, inteligência artificial e um novo foguete guiado a laser de 70 mm, desenvolvido especialmente para neutralizar UAV de forma eficiente e a um custo significativamente menor do que o uso de mísseis tradicionais...”.
O RapidStriker reúne radares e sensores de vigilância com cobertura 360 graus, controle de tiro automatizado e diferentes efetores, incluindo foguetes guiados e não guiados de 68 e 70 mm, canhões de pequeno calibre e munições operadas remotamente.
Com a automação do ciclo e a fusão de dados oriundos de múltiplos sensores, o sistema consegue detectar, identificar, acompanhar e neutralizar ameaças em segundos. Além disso, ele pode ser integrado a diferentes veículos táticos de alta mobilidade.
O novo projétil guiado da Thales incorporado ao RapidStriker é o LGR275 Proxy, concebido para neutralizar veículos aéreos não tripulados. Ao incluir um sensor de proximidade e uma ogiva otimizada para alvos aéreos, a solução busca oferecer uma alternativa mais econômica diante do custo crescente de empregar mísseis antiaéreos tradicionais para interceptar drones de baixo custo.
A empresa também afirmou: “...O LGR275 Proxy pode ser empregado tanto em configurações superfície-ar quanto ar-ar, e complementa a arquitetura de defesa aérea integrada SkyDefender, destinada a proteger infraestruturas e forças desdobradas contra ameaças aéreas de diferentes naturezas...”.
Vale destacar que o sistema integrado SkyDefender segue o conceito de arquitetura aberta para defesas aéreas em múltiplas camadas. Como explicou Luis Mongini à ZM, “...Combina sensores, radares, sistemas de comando e controle e interceptores para enfrentar ameaças que vão de drones comerciais a mísseis balísticos e hipersônicos...”.
Inteligência artificial para otimizar o treinamento militar
Outro anúncio central foi o lançamento do Gladiator Training Data Analytics, uma nova plataforma baseada em inteligência artificial pensada para converter o grande volume de dados gerados em exercícios de treinamento em informação útil para a avaliação pós-ação das manobras.
A solução consolida dados do sistema de controle do exercício (Excon) e de sensores instalados em soldados, veículos, drones e infraestrutura, possibilitando reconstituir com precisão todo o desenrolar de uma operação.
Entre as principais funções, destacam-se uma linha do tempo interativa com os eventos mais relevantes do exercício, recursos para reprodução completa das manobras e métricas táticas calculadas automaticamente com base em princípios doutrinários de guerra - incluindo concentração de forças, emprego de armamentos e desempenho individual e coletivo.
A plataforma inclui ainda um módulo de análise de comunicações baseado em inteligência artificial, capaz de transcrever automaticamente transmissões de rádio (mesmo em ambientes degradados) e, depois, analisá-las com processamento de linguagem natural.
Europa e o contexto internacional, desafios que exigem inovação constante
Mongini apontou que, diante das mudanças profundas do cenário global nos últimos anos, surgiram desafios ligados a sistemas não tripulados, inteligência artificial e inovações tecnológicas. Ele explicou: “...Atualmente observamos conflitos em que a velocidade para detectar, processar informação e tomar decisões é tão importante quanto a própria plataforma de combate. Um dos principais desafios é responder à massificação de drones e munições merodeadoras, que obriga a desenvolver soluções C-UAS cada vez mais acessíveis, escaláveis e interoperáveis. Outro desafio fundamental é alcançar uma verdadeira integração multidomínio...”.
Ele reforçou: “...Já não basta que cada sistema funcione de forma independente; hoje o objetivo é conectar sensores, plataformas tripuladas e não tripuladas, inteligência artificial e sistemas de comando para construir uma imagem tática única que permita tomar melhores decisões em tempo real...”. E completou: “...A isso se somam questões críticas como a cibersegurança, a transição para a criptografia pós-quântica e o fortalecimento da soberania tecnológica e industrial...”.
No campo industrial, Mongini destacou que “...A demanda atual exige aumentar consideravelmente a capacidade de produção sem abrir mão de qualidade nem de inovação. Nesse contexto surgem associações como a estabelecida entre a Thales e a Renault, que permitem combinar a experiência tecnológica da indústria de defesa com a capacidade de fabricação em grande escala do setor automotivo para acelerar a disponibilidade de novas capacidades militares...”.
O executivo também afirmou: “...Há um desafio industrial muito importante: produzir mais, mais rápido, sem comprometer qualidade nem inovação. Iniciativas como a colaboração com a Renault refletem precisamente essa necessidade de ampliar a capacidade industrial para responder ao novo ambiente estratégico...”.
Inovação tecnológica, integração de capacidades e expansão industrial, os eixos estratégicos da Thales
Em um contexto que exige respostas no curto prazo, a Thales segue consolidando suas soluções de inteligência artificial confiável, sistemas de comando e controle multidomínio, radares de nova geração, capacidades avançadas de guerra eletrônica, cibersegurança e defesa aérea integrada.
Nesse sentido, Luis Mongini disse à ZM que, na Thales, “...estamos acelerando o desenvolvimento de soluções específicas para responder às lições aprendidas em conflitos recentes, particularmente em drones, munições merodeadoras e sistemas de defesa aérea de curto alcance...”.
A frente industrial aparece como outro trunfo para atender às exigências presentes e futuras. Ele observou: “...Um dos marcos mais relevantes é a capacidade de ampliar rapidamente a produção por meio de alianças estratégicas. A colaboração com a Renault é um exemplo concreto dessa visão: aproveitar a experiência industrial de um fabricante de grande escala para produzir sistemas como o drone Toutatis e aumentar significativamente a capacidade de fabricação francesa, respondendo à crescente demanda internacional...”.
Por fim, ao encerrar a entrevista na Eurosatory 2026, o Diretor-Geral da Thales para o Cone Sul resumiu: “...De olho no futuro, a prioridade é continuar investindo em inteligência artificial, tecnologias quânticas, sistemas autônomos e interoperabilidade, ao mesmo tempo em que se reforça a capacidade industrial para acompanhar a demanda crescente de nossos clientes...”.
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