Dez anos depois de o escândalo de emissões conhecido como Dieselgate vir à tona - tendo o Grupo Volkswagen como principal alvo na época -, os efeitos continuam se espalhando e afetando outras montadoras do setor automotivo.
Ação da Car Claim contra o Grupo BMW por emissões em motores Diesel
A fundação Car Claim entrou com um processo contra o Grupo BMW por supostamente empregar software fraudulento em mais de 100 mil veículos comercializados no país. A acusação abrange modelos Diesel das marcas BMW e MINI vendidos entre 1 de janeiro de 2009 e 1 de setembro de 2019.
Apurações realizadas nos Países Baixos, Alemanha, França e Reino Unido indicam que a BMW teria recorrido a um software proibido para interferir nos testes de emissões. Segundo a denúncia, o sistema fazia com que os níveis de NOx (óxidos de nitrogênio) fossem reduzidos de forma artificial durante as medições oficiais, permitindo que os carros se enquadrassem nos limites legais - enquanto, em condições de uso real, as emissões seriam muito mais altas do que o permitido.
“É vergonhosa a maneira como a BMW enganou não só os órgãos de inspeção como também os consumidores. A empresa deve assumir a responsabilidade e indenizar quem foi lesado”, disse Sandra Molenaar, diretora da Consumentenbond, principal associação de defesa do consumidor nos Países Baixos.
O que a fundação pede: recall, adaptação técnica e indenizações
Entre as exigências apresentadas, a fundação quer que a BMW realize um recall de todos os automóveis Diesel envolvidos e faça as adaptações necessárias para que, de fato, atendam às normas legais de emissões. Além disso, solicita indenizações a proprietários atuais e antigos que tenham comprado veículos equipados com o software adulterado.
“Embora tenhamos iniciado um processo judicial, continuamos a solicitar à BMW um diálogo para encontrarmos uma solução justa”, disse Guido van Woerkom, presidente da Car Claim.
Dieselgate: o escândalo que abalou toda a indústria
Em setembro de 2015, tornou-se público que a Volkswagen havia desenvolvido um software capaz de fraudar os testes de emissões em veículos com motor Diesel.
Na prática, o carro conseguia “identificar” quando estava em avaliação e, então, alterava o mapa de gerenciamento do motor para manter emissões - como as de óxidos de nitrogênio (NOx), nocivos à saúde humana - dentro dos limites exigidos. Já em circulação normal, o sistema voltava ao mapa original, ultrapassando os patamares legais.
As estimativas apontam que mais de 11 milhões de veículos no mundo inteiro foram impactados, sendo que a grande maioria estava na Europa - onde, nos primeiros 15 anos deste século, os motores Diesel lideraram as vendas e chegaram a superar 50% de participação de mercado.
Até hoje, a Volkswagen já desembolsou mais de 30 bilhões de euros em multas, indenizações e custos jurídicos ligados ao Dieselgate, com uma parcela expressiva direcionada aos Estados Unidos, onde o caso foi inicialmente revelado. Diversos executivos foram denunciados e condenados, mas o tema ainda está longe de se encerrar.
Outros processos além do Grupo Volkswagen
Além do Grupo Volkswagen, também seguem em andamento ações contra Peugeot/Citroën, Mercedes-Benz, Opel, Renault/Dacia e FIAT (ex-FCA).
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