As origens de August Horch e o nascimento da Audi
Voltando ao fim do século XIX, em pleno período de forte espírito empreendedor na Europa, surgia na Alemanha uma pequena fabricante de automóveis criada pelo empresário August Horch: a A. Horch & Cie.
Só que, depois de desentendimentos com integrantes da companhia, Horch resolveu sair do projeto e abrir uma nova empresa com o mesmo nome. O problema é que a legislação não permitia que ele adotasse uma denominação semelhante.
Auto Union
Teimoso por natureza, August Horch decidiu seguir adiante com a ideia. A saída encontrada foi traduzir o sobrenome para o latim: “horch” quer dizer “ouvir” em alemão e, em latim, isso se diz “audi”. Ficou algo do género: Audi Automobilwerke GmbH Zwickau.
Mais tarde, em 1932, porque o mundo é pequeno e redondo, a Audi se uniu à primeira empresa de Horch e ainda a outras duas marcas do setor automotivo. Assim, formou-se uma aliança entre a Audi, a Horch, a DKW (Dampf-Kraft-Wagen) e a Wanderer.
Dessa união nasceu a Auto Union AG, que se tornou o segundo maior fabricante de automóveis da Alemanha. O logotipo trazia quatro anéis - um para cada uma das empresas.
Depois da criação da Auto Union, a dúvida que não saía da cabeça de August Horch era o risco de fracasso ao colocar lado a lado quatro montadoras com ambições parecidas. A resposta foi fazer com que cada marca atuasse em um segmento diferente, reduzindo assim a chance de competição interna.
“Um bom logótipo é aquele que dá para ser desenhado na areia com um dedo do pé”
Kurt Weidemann, designer gráfico e tipógrafo
Com isso, a Horch ficou responsável pelos veículos de topo de linha; a DKW, pelos carros urbanos e pelas motocicletas; a Wanderer, pelos modelos de maior porte; e a Audi, pelos automóveis de maior volume.
Pós-guerra e reestruturação da Auto Union
Com o fim da II Guerra Mundial e a divisão do território alemão, os carros de luxo deram lugar a veículos militares, o que levou a uma reestruturação da Auto Union. Em 1958, a Daimler-Benz comprou 88% da empresa e, alguns anos depois, o Grupo Volkswagen adquiriu não apenas a fábrica de Ingolstadt, como também os direitos de comercialização dos modelos da Auto Union.
Retomada da Audi e consolidação da marca
Ainda assim, isso não impediu que Ludwig Kraus - chefe de desenvolvimento e integrante da equipe de gestão - trabalhasse secretamente em um novo modelo da Audi. O carro foi mostrado à imprensa em novembro de 1968: o Audi 100 - o primeiro veículo 100% Audi -, que permitiu à Auto Union manter sua independência.
Em 1969, a NSU entrou em cena para se juntar à Auto Union, o que fez a Audi reaparecer pela primeira vez no pós-guerra como uma marca independente. Mesmo assim, somente em 1985 o nome Audi AG passou a ser usado oficialmente e a aparecer acompanhado do tradicional emblema das argolas, que segue inalterado até hoje.
O restante é história: vitórias no automobilismo (rali, velocidade e endurance), introdução de tecnologias pioneiras na indústria e a posição de uma das marcas mais valorizadas no segmento premium.
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