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BMW Série 6 reestilizado: teste do 650i

Carro conversível vermelho em movimento em estrada sinuosa com árvores e montanhas ao pôr do sol.

Um novo BMW Série 6?

Novo, novo mesmo, não: trata-se de uma reestilização - e, se você conseguiu notar as mudanças de primeira, talvez mereça folga pelo resto do dia.

Ainda por aqui? Então aperte os olhos: os faróis dianteiros ficaram mais angulosos; as “narinas” da clássica grade em rim agora parecem mais largas e vêm com aletas finas, em estilo lâmina; e o para-choque recebeu retoques discretos. Os fanáticos mais fiéis da BMW vão se empolgar com as novas opções de rodas de liga leve e, sobretudo, com a adoção de escapamento esportivo de série em toda a gama.

Quem gosta de “carro dorminhoco” (com cara de comportado) vai apreciar a ironia do novo conjunto de escape: as duas saídas oblongas, vistas por fora, escondem dois dutos em cada uma. Ou seja, na prática você leva quatro saídas, mas com aparência de apenas duas - mais discreto. E o som, de fato, ficou bem gostoso. Mas já chegamos nisso.

Qual Série 6 é este?

Nós guiamos o 650i, a versão que tradicionalmente mais vende no principal reduto do Série 6, o mercado dos EUA. E, como costuma acontecer, o número na tampa do porta-malas diz pouco sobre o que existe sob o capô: o 650i usa um V8 4,4 litros biturbo.

Os engenheiros da divisão M da BMW ficam realmente contrariados se você chamar esse motor de “M6 amansado”: o M6, que é o topo, recebe uma lista de componentes exclusivos e bem tentadores - como pistões mais fortes e turbos de maior desempenho - que não entraram neste carro.

Mesmo assim, não dá para dizer que falta força. Com 444 bhp (cerca de 444 cv), um ganho importante de 42 bhp (aprox. 42 cv) em relação ao 650i pré-reestilização, ele tirou 0,3 s do melhor tempo no 0–62 mph - isto é, 0–100 km/h - e agora cumpre a prova em 4,6 s, tempo suficiente para deixar um M4 preocupado. E esse número não muda, seja no cupê de duas portas, no conversível de capota de lona, ou no ainda belíssimo Gran Coupé de quatro portas.

O consumo também melhorou um pouco em toda a linha, chegando a um valor teórico de 32,9 mpg (equivalente a cerca de 8,6 L/100 km) para as versões de teto rígido e 31,7 mpg (aprox. 8,9 L/100 km) no conversível.

Então ele é rápido?

Sim. Só que, na vida real, o que mais chama atenção não é tanto o número de potência, e sim o torque de 479 lb ft (aprox. 650 Nm) - apenas 22 lb ft (cerca de 30 Nm) abaixo do M6 “normal”. Se o seu estilo é mais o de viajar deslizando do que o de atacar, esse conjunto mecânico tem tudo para agradar.

Você até pode comandar a caixa automática de oito marchas como quiser, subindo e descendo marchas pelas aletas de metal atrás do volante. Mas o V8 é tão cheio que o melhor é deixá-lo rodando tranquilo em quinta ou sexta. Em nenhum momento parece faltar fôlego para ultrapassar com facilidade os “mortais” nos seus Série 2 ou Série 4.

E já que o assunto é som: no cupê, o novo escape entrega um bramido bem controlado. Já no conversível, a diversão é de verdade. Com a capota recolhendo em 15 segundos (e podendo ser acionada em movimento, para maximizar a pose), você passa a ouvir um repertório engraçado de assobios dos turbos e aqueles estalos à moda antiga nas trocas de marcha e nas desacelerações.

Como ele se comporta ao volante?

Como era de se esperar, este não é um monstro de estrada estreita e travada. O 650i é absurdamente rápido (desde que você aceite, hum, 17 mpg - algo como 16,6 L/100 km), mas o tamanho do Série 6 é grande demais para as estradas de montanha de Portugal onde guiamos o carro - e, com mais razão ainda, para rotas sinuosas e irregulares.

Ao mesmo tempo, para um carro desse porte, o controle de carroceria em alta velocidade é exemplar. Só que a inércia está sempre ali, à espreita, pronta para lembrar a realidade implacável da física. E, como contrapartida dessa compostura em velocidade, o rodar na cidade também fica um pouco “ocupado”. Não chega a ser desconfortável, mas você percebe mais o asfalto sob os pneus do que gostaria.

A solução é alternar o Dynamic Chassis Control de Sport para Comfort (ou para o Comfort Plus, que na prática parece igual) e seguir num ritmo moderado. O 650i é um verdadeiro carro para viajar com prazer - não um barco de corrida.

Mais alguma coisa?

Alguns incômodos rápidos. O defletor de vento do conversível protege muito bem o cabelo, mas em troca impede o acesso aos bancos traseiros. Por outro lado, o espaço atrás serve, no máximo, para crianças e pessoas bem baixas. Chefes de Estado, procurem outro modelo.

A cabine também não marca tanto quanto poderia. O acabamento é caprichado e a ergonomia é tão bem resolvida quanto a de um iPhone, mas falta brilho. Quase dá para achar que você está no Série 4 daquele “mortal”, tamanha a semelhança. Um pouco da ousadia do i3 e do i8 precisa escorrer para o próximo Série 6 se a BMW quiser continuar justificando uma etiqueta de £ 75.000.

E aqueles mostradores totalmente digitais, tão elegantes? Ótimos - até você baixar a capota e o reflexo do sol esconder o conta-giros, o marcador de combustível e, ah, sim, a velocidade. Desculpe, senhor guarda.

Eu deveria comprar um?

Se você está no Reino Unido, o diesel 640d faz muito mais sentido do que o 650i, mais sedento e passional. Agora, se você mora num lugar onde espaço é tão abundante quanto petróleo, o grande motor a gasolina vira uma aposta bem mais lógica. O Mercedes SL (com dois lugares) entrega cupê e conversível no mesmo carro; e o Maserati GranTurismo é mais sedutor no estilo e no emblema, mas paga o preço de um interior já datado.

No fim, o Série 6 permanece preso ao mesmo lugar em que vem orbitando desde que a BMW ressuscitou o nome: um carro muito competente, porém clínico demais - faltando aquele essencial “viu um, quis um”.

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