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Incêndio na serra do Caramulo deixa sete aldeias de São João do Monte sem água; Câmara de Tondela leva abastecimento

Homem e bombeiro passam galões azuis em área afetada por incêndio perto de casas brancas e morro queimado.

Sete aldeias de São João do Monte sem água após o incêndio

Na encosta da serra do Caramulo, em São João do Monte, sete aldeias - com cerca de 50 moradores - passaram a receber água entregue pela Câmara de Tondela, depois que o incêndio iniciado em Vouzela no dia 02 derreteu tubulações e interrompeu o abastecimento.

Carlos Silva, morador de Matadegas, explicou à agência Lusa que o problema não foi a eletricidade, e sim a água: "Por aqui não tivemos falta de energia, felizmente, mas ficamos sem água. Nós e toda esta localidade e área, acredito. Nós somos abastecidos por minas que existem na serra, mas o incêndio queimou os tubos".

Segundo ele, para conseguir restabelecer parte da ligação e garantir água em casa, precisou improvisar: disse que foi "comprar cerca de quilómetro e meio de tubo" para refazer o trajeto e "poder ter alguma água em casa para as máquinas funcionarem".

As localidades afetadas na freguesia de São João do Monte incluem, além de Matadegas, Belazeima, Carvalhal, Mançores, Almejofa, Caselho e Vale do Lobo.

Abastecimento emergencial e saneamento

O presidente da Junta de Freguesia de São João do Monte, Paulo Dinis, afirmou à Lusa que essas sete localidades somam "pouco mais de 50 pessoas e, ao fim de semana, o número praticamente duplica".

Para o autarca, a prioridade imediata está ligada ao abastecimento de água e ao saneamento, devido à extensão da rede que foi destruída: "A nossa maior preocupação agora é a água e o saneamento, devido aos quilómetros de tubo que arderam. Para minimizar os danos, as pessoas estão a receber água potável que a Câmara de Tondela está a levar às suas casas".

Comunicações na serra do Caramulo também pioraram

Além da falta de água, Carlos Silva relatou que a conectividade na aldeia, que já era precária, se agravou após o fogo. Ele contou que as comunicações "já eram más, ficaram piores" e apontou um "grande problema de rede móvel", acrescentando que a localidade também "é deficitária de internet" e que, "agora, com o incêndio, só piorou".

Impactos do incêndio: colmeias e floresta

Paulo Dinis destacou ainda que o incêndio trouxe outra consequência relevante para a região: "outra grande preocupação" gerada pelo fogo, "além de toda a mancha florestal que ardeu, foi a morte de dezenas de colmeias e, consequentemente, o pasto para as que ficaram" vivas.

Sobre o impacto na apicultura, ele observou que os números ainda não estão fechados: "Ainda não está tudo contabilizado, mas, para já, sabemos que arderam mais de 80 colmeias e temos de ver o que vamos fazer para alimentar as que ficaram, se vamos fazer transumância ou não. Temos de pensar bem".

Na vertente florestal, o responsável informou que, na encosta da serra do Caramulo, foram consumidos, entre outras áreas, "80 hectares dos baldios" de São João do Monte, com predominância de "sobretudo pinheiro, mas também alguns eucaliptos".

Início, controlo do fogo e dimensão do combate

O incêndio começou às 3.04 horas do dia 2, em Tourelhe, na freguesia de Cambra e Carvalhal de Ermidas, no concelho de Vouzela, distrito de Viseu, e foi dado como dominado às 12.40 horas do dia 5.

Com mais de 15 mil hectares destruídos, o fogo - até agora o maior do ano - causou dois feridos graves e seis ligeiros. O combate chegou a mobilizar mais de 1.200 operacionais e as chamas atingiram os concelhos de Vouzela, Tondela e Oliveira de Frades, no distrito de Viseu, além de Águeda, já no distrito de Aveiro.

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