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Impactos da guerra na Ucrânia sobre a indústria automobilística na Rússia

Carro esportivo elétrico prateado em exibição em ambiente moderno com iluminação interna.

Quase toda a indústria automobilística mantém algum tipo de operação na Rússia - seja exportando e vendendo veículos novos, seja fabricando localmente.

Na Ucrânia, por sua vez, há plantas de fornecedores que correm o risco de interromper atividades, o que piora um cenário que já era complicado para o setor automotivo por causa da crise dos semicondutores.

Diante desse quadro, as consultorias J.D. Power e LMC Automotive revisaram para baixo suas projeções globais de vendas de veículos novos em 2022: agora estimam 85,8 milhões de unidades, uma redução de 400 mil veículos em relação à primeira previsão.

Grupo Renault

Como a AvtoVAZ, proprietária da Lada, faz parte do Grupo Renault, a montadora francesa aparece entre as mais expostas ao contexto atual.

A Renault informou que, ao longo desta semana, suspenderia operações em algumas de suas fábricas na Rússia, justamente por entraves logísticos ligados à falta de componentes. O endurecimento do controle nas fronteiras russas é apontado como a principal causa dessas dificuldades, já que as peças que faltam são levadas por caminhões.

Além de modelos Lada, a Renault fabrica na Rússia versões locais dos crossovers Arkana e Kaptur (com K).

Grupo Volkswagen

O Grupo Volkswagen comunicou a suspensão das entregas de veículos novos para a Rússia em 28 de fevereiro, mas os efeitos da invasão também chegaram às suas unidades industriais na Alemanha.

Por causa do atraso no envio de componentes provenientes da Ucrânia, o grupo alemão precisou interromper a produção em duas fábricas por alguns dias.

A Skoda também fica em posição sensível, já que a Rússia é seu segundo maior mercado (mais de 90 mil unidades vendidas em 2021).

Além disso, a marca mantém na Ucrânia uma fábrica em Solomonovo, onde monta todos os seus modelos para abastecer o mercado local por meio de kits CKD (Complete Knock-Down), e emprega 600 funcionários no país. A Skoda anunciou medidas de apoio para os colaboradores que optarem por se mudar para a República Tcheca com suas famílias.

A empresa também informou a doação de 400 mil euros para a organização de caridade People in Need, além de fundos de suporte às cidades tchecas de Mladá Boleslav, Rychnov nad Kněžnou e Vrchlabí para receber refugiados ucranianos.

A marca tcheca ainda foi obrigada a reduzir a produção do modelo elétrico Enyaq iV em sua fábrica de Mladá Boleslav, na República Tcheca, por falta de peças vindas da Ucrânia.

Stellantis

A Stellantis montou uma força-tarefa para monitorar o cenário e acompanhar seus 71 funcionários ucranianos. Carlos Tavares, diretor executivo da Stellantis, afirmou que “cumprimos com as regras, leis e regulamentos em tempo de paz e cumpriremos com as sanções em tempo de guerra”.

A Stellantis também opera uma fábrica na Rússia, em Kaluga, onde produz veículos comerciais Citroën, Opel e Peugeot, e por enquanto segue em funcionamento. Ainda assim, Carlos Tavares alerta que o quadro pode mudar caso comecem a faltar componentes.

Mercedes-Benz

No caso do grupo alemão, foi a divisão Daimler Truck, voltada a veículos pesados, que optou por suspender todas as atividades em território russo.

Vale lembrar que a Daimler Truck tem uma joint venture com a fabricante russa de caminhões Kamaz. O recém-criado Mercedes-Benz Group AG detém 15% da Kamaz, e o jornal alemão Handelsblatt informou que o grupo estaria considerando vender essa participação.

A Mercedes-Benz também anunciou a doação de um milhão de euros à Cruz Vermelha para apoiar o povo ucraniano.

Volvo

A Volvo foi a primeira montadora a decidir suspender as entregas de veículos novos para a Rússia, justificando a medida por causa “dos riscos potenciais associados nas trocas comerciais com a Rússia, incluíndo as sanções impostas pela UE e EUA”.

A Volvo envia para a Rússia veículos exportados da Suécia, China e Estados Unidos da América, e vendeu cerca de 9000 unidades em 2021.

BMW

A BMW também comunicou que suspenderia as exportações para a Rússia e, além disso, pararia a produção local de veículos no país: “devido à situação geopolítica atual, estamos a descontinuar a nossa produção local na Rússia e exportação de modelos para o mercado russo.”

Jaguar Land Rover

A Jaguar Land Rover igualmente interrompeu as entregas de veículos novos para a Rússia. No ano passado, a marca vendeu 6900 veículos.

General Motors

A General Motors também decidiu suspender as exportações de veículos novos para a Rússia, onde comercializa por volta de 3000 unidades ao ano. O grupo americano declarou que “os nossos pensamentos estão com o povo da Ucrânia neste momento. A perda de vidas é uma tragédia, e a nossa maior preocupação é a segurança das pessoas na região”.

BP

Embora não seja uma montadora, a petrolífera BP foi uma das empresas que mais chamou atenção ao anunciar o encerramento de sua participação de 19,75% na Rosneft, a gigante russa de petróleo, após três décadas de colaboração.

A Rosneft responde por cerca de metade das reservas de petróleo e gás da BP e por volta de um terço de sua produção, o que faz com que essa decisão implique custos elevados, na ordem de 25 bilhões de dólares (22,54 bilhões de euros).

Fonte: Reuters, Automotive News

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