Por muitos anos, o Ford Fiesta figurou entre os carros mais relevantes do mercado europeu. Queridinho do público por ser barato, popular e gostoso de dirigir, o compacto da marca norte-americana acabou virando uma referência no segmento.
Só que nem mesmo os grandes ícones ficam imunes às transformações da indústria automotiva. Agora, a Ford explicou o que a levou a encerrar a fabricação de um dos modelos mais marcantes da sua história recente.
Em conversa com o Motor1, Christian Weingaertner, chefe da divisão de veículos de passageiros da Ford Europa, reconheceu que o fim do modelo teve relação direta com os custos da eletrificação, com as exigências de emissões e com a própria fragmentação do mercado europeu.
O Ford Fiesta deixou de compensar
De acordo com Christian Weingaertner, a decisão de parar o Ford Fiesta não foi uma tentativa de “virar a página” ou de renegar o passado da marca. O ponto central, na prática, foi a viabilidade financeira.
“O mercado está muito fragmentado”, afirmou ele - e os números deixam isso claro. Cerca de 25 anos atrás, um carro como o Volkswagen Golf conseguia emplacar por volta de 680 mil unidades por ano na Europa. Hoje, o veículo mais vendido do continente (o Dacia Sandero) fica na casa de 250 mil unidades.
Na leitura do executivo, isso significa que já não há modelos capazes de sustentar, sozinhos, fábricas inteiras. E foi exatamente esse cenário que, no fim das contas, pesou para o encerramento do Fiesta: “Em determinado momento, temos de admitir que já não compensa”, resumiu Weingaertner.
“Sabemos que muitos clientes adoram o Fiesta, mas somos uma empresa e temos de pagar as contas. Do ponto de vista financeiro, na altura, a empresa concluiu que não fazia sentido”.
Christian Weingaertner, chefe da divisão de automóveis de passageiros da Ford Europa
A aposta nos elétricos mudou tudo
Outro elemento que ajudou a acelerar o desaparecimento do Fiesta foi a mudança de rota rumo aos carros 100% elétricos. Segundo o executivo, a indústria imaginava que a adoção dos veículos elétricos avançaria em um ritmo maior do que o visto até aqui.
Com essa expectativa, diversas fabricantes - entre elas a Ford - direcionaram investimentos para a eletrificação e reduziram o foco na evolução dos motores a combustão. Em outras palavras, as montadoras acabaram pressionadas a escolher entre seguir colocando dinheiro em tecnologias já existentes ou acelerar o desenvolvimento de novas plataformas elétricas.
Ao mesmo tempo, as normas de emissões na Europa foram ficando gradualmente mais rígidas, o que tornou cada vez mais difícil defender, do ponto de vista financeiro, a continuidade de compactos de baixa margem - como era o caso do Fiesta.
O Fiesta pode voltar?
Mesmo com a saída de cena do Fiesta, Christian Weingaertner admitiu que “há muita história associada” a nomes tradicionais como o desse compacto, que ainda têm força entre consumidores europeus.
Ainda assim, o responsável pela Ford Europa afirma que, por enquanto, não existe nenhuma decisão tomada sobre uma eventual volta do nome Fiesta. O que parece certo é que o mercado automotivo mudou - e modelos como esse acabaram ficando pelo caminho.
Para os próximos anos, a Ford planeja uma grande renovação da sua linha europeia. Entre 2026 e 2029, a marca prevê lançar cinco novos modelos, incluindo dois elétricos pequenos desenvolvidos em parceria com a Renault, baseados na plataforma AMPR:
Mesmo que compartilhem muitos componentes, a Ford afirma que esses futuros modelos deverão manter aquilo que a marca chama de “ADN Ford”, especialmente no que diz respeito à dinâmica de condução.
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