O Model 3, profundamente renovado, só reforça o argumento de que a Tesla continua sem dar muita margem de manobra para a concorrência
A Tesla acaba de revelar um novo Model 3, e nós fomos vê-lo de perto em Oslo, na Noruega, em um exclusivo nacional da Razão Automóvel.
No papel, é “apenas” uma atualização. Mas este Model 3 tem cara (e cheiro) de carro novo, tamanhas são as mudanças - principalmente por dentro.
Você pode conferir tudo o que foi alterado no primeiro teste em português do novo Tesla Model 3:
Aerodinâmica na base de (quase) tudo
Ontem publicamos um artigo no qual dá para ler (ou reler) com mais detalhe todas as novidades do Model 3.
Ainda assim, vale voltar a destacar o que mudou no visual externo: além de criar uma aparência mais “limpa” e até um pouco mais agressiva, sobretudo na frente, isso também o deixou mais eficiente.
Eu, honestamente, esperava mudanças estéticas maiores. Mas as que foram feitas funcionam - e ajudaram o Model 3 a chegar a um coeficiente aerodinâmico (Cx) de apenas 0,219, quando antes era 0,23.
Interior sem vestígios de ruídos
Para a cabine, a Tesla levou em conta o retorno dos clientes e foi direto em duas reclamações recorrentes: qualidade dos materiais e ruídos a bordo.
E depois de rodarmos pelas estradas de Oslo por cerca de duas horas, a sensação é de que ambos os pontos foram devidamente “atacados”.
Diferentemente do que acontecia antes, agora todos os vidros do Model 3 são laminados, o que contribui para isolar o interior do lado de fora.
A maior virada, no entanto, está nos materiais e no encaixe das peças. Nesse aspecto, dá mesmo para dizer que a evolução é evidente - a montagem parece mais sólida - e é mais marcante do que eu imaginava.
O que chama atenção logo ao entrar no novo Model 3 é a nova consola central, que passou a ter acabamento em alumínio.
Ainda assim, o que pesa mais para acabar com ruídos é o painel, que agora aparece revestido (na parte de cima e na parte de baixo) com materiais mais macios e de melhor qualidade. O mesmo vale para os painéis das portas.
No fim das contas, o interior do novo Model 3 não só parece mais moderno e sofisticado - graças aos materiais e às novas borrachas de vedação - como também transmite mais robustez e melhor montagem. E isso é uma excelente notícia.
E o volante?
Bom, quem viu o vídeo em que testei o novo Model X Plaid com o volante Yoke já sabe que eu não sou o maior fã dessa solução da Tesla, que eliminou as hastes laterais e levou as setas de direção para o próprio volante.
No Tesla Model 3, felizmente, não existe o Yoke - o volante é redondo -, mas o princípio, no fim, é parecido. É verdade que a Tesla se esforçou para melhorar o toque dos “botões” das setas integrados ao volante, mas o meu problema com essa ideia nunca foi o tato, e sim a posição deles.
Basta encarar uma rotatória para entender as limitações. Conforme giramos o volante, os braços mudam de posição e deixa de ser óbvio qual botão corresponde à seta da esquerda e qual à da direita.
Não me incomoda ter de ajustar a posição dos retrovisores externos ou do volante pelo display central, nem mesmo deslizar na tela para alternar entre os modos do câmbio. Mas as setas…
Pelo menos, a Tesla ouviu as críticas feitas aos novos Model S e Model X e manteve a buzina bem no centro do volante… como manda a tradição.
Só mudou a autonomia
Ao contrário do que muita gente esperava, a Tesla decidiu não mexer nas cadeias cinemáticas - motores e baterias - que já conhecíamos do Model 3. Ainda assim, por conta das melhorias aerodinâmicas, a autonomia aumentou em todas as versões.
Isso quer dizer que, segundo o configurador da marca norte-americana, no Model 3 de tração traseira - 208 kW (283 cv) de potência e bateria com 60 kWh - a autonomia subiu para 554 km nas versões com rodas de 18” e para 513 km nas versões com rodas de 19”.
Já no Model 3 Long Range AWD - tração integral (dois motores), 366 kW (497 cv) e bateria de 75 kWh -, a autonomia também cresceu para 678 km com as rodas de 18” e para 629 km com as rodas de 19”.
Com esta renovação, a Tesla deixa de oferecer o Model 3 Performance - uma decisão sobre a qual os responsáveis da marca se recusaram a comentar se poderá ser revertida em algum momento.
Consumos (ainda) mais baixos
Outro ponto que melhorou nesta atualização profunda foi o consumo, que caiu 1,2 kWh a cada 100 km (de 14,4 kWh/100 km para 13,2 kWh/100 km) na versão de tração traseira e 0,7 kWh/100 km (de 14,7 kWh/100 km para 14 kWh/100 km) no Long Range.
Neste primeiro contato, só tive a oportunidade de dirigir o Tesla Model 3 Long Range em um trajeto misto, com um pouco de rodovia e várias estradas secundárias.
Terminei essa primeira experiência com uma média de 15,5 kWh/100 km - mas houve diversas ocasiões em que registrei valores abaixo de 15 kWh/100 km.
A meu ver, é um número bem interessante, ainda mais porque eu mantive uma condução “normal”, sem me preocupar em “trabalhar” em favor dos consumos.
Suspensão completamente nova
Muita gente também esperava que a Tesla atualizasse os freios do Model 3, o que não aconteceu. A direção me parece ter ficado um pouco mais pesada, já a partir do modo Conforto, embora nada tenha sido confirmado sobre isso durante esta apresentação.
O que mudou de forma realmente relevante foi a suspensão. Há novos casquilhos, molas e amortecedores, e a Tesla chegou inclusive a alterar a geometria da suspensão e a forma como ela se fixa à carroceria.
São mudanças que aparecem claramente ao volante. Quem já dirigiu um Tesla Model 3 (antigo) ou um Model Y, especialmente com rodas de 19’’ ou 20’’, sabe que são carros de rodar firme.
Este novo ficou um pouco mais confortável, ainda que não me pareça ter perdido muito do ponto de vista dinâmico: os movimentos da carroceria continuam relativamente bem controlados.
Mas a diferença no conforto e na qualidade de rodagem é inegável. A suspensão filtra com bem mais eficiência as irregularidades do asfalto, tornando este Model 3 uma opção ainda mais agradável de conduzir.
Ficou tudo na mesma
As entregas do novo Tesla Model 3 começam no fim do próximo mês de outubro na Europa e no Oriente Médio. A produção para o mercado português seguirá garantida pela fábrica da Tesla em Xangai, na China.
Quanto aos preços, eles não terão mudanças em Portugal. Assim, o novo Tesla Model 3 continuará disponível a partir de 39 990 euros na versão de tração traseira e a partir de 48 990 euros na versão Long Range.
Não tem como dizer de outra forma: a Tesla continua sem dar muito espaço de manobra à concorrência - e este novo Model 3 é uma boa prova disso.
Isso porque seria fácil, e até aceitável, que a marca liderada por Elon Musk tivesse ajustado os preços do novo Model 3 para cima, mas não fez. E, considerando tudo o que foi melhorado e introduzido neste carro, isso chama atenção.
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